Um voluntário de 32 anos permanece nas ruínas de La Guaira, Venezuela, buscando familiares soterrados após os terremotos de 24 de junho. Movido pelo desespero, ele enfrenta o trauma de encontrar escombros e corpos, mantendo a esperança de dar um sepultamento digno aos desaparecidos.
O comerciante assumiu o papel de socorrista sem treinamento após os dois tremores que atingiram o estado costeiro. Ele acredita que sua mãe, seu irmão e sua sobrinha ficaram presos em um conjunto habitacional público de 12 andares no setor de Caraballeda. Enquanto cães farejadores e socorristas internacionais vasculhavam a área, o voluntário viu corpos em decomposição, o que o levou a perder a esperança de encontrar os familiares vivos no décimo dia.
O homem descreve o impacto psicológico da situação, afirmando que o estresse gera um “trauma”. Ele conseguiu recuperar pertences de seus familiares, como uma guitarra e uma viola, mas os restos mortais dos três ainda não foram localizados quase três semanas após a tragédia, que deixou cerca de 4.500 mortos.
O voluntário segue nas ruínas, acessando aberturas estreitas com auxílio de ferramentas. Ele relata ter sentido um dos mais de mil tremores secundários registrados na Venezuela. Ele dorme em barracas doadas, exposto a doenças, enquanto as máquinas pesadas removem os escombros sob o céu cinzento de La Guaira.

