O Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro, tornou-se um centro de comando nacional do Comando Vermelho (CV). Mensagens interceptadas pela Polícia Civil revelam que lideranças presas no local enviam ordens para criminosos em diferentes estados, tratando de disputas territoriais e conflitos internos.
As conversas demonstram que as decisões da facção deixaram de se restringir ao Rio de Janeiro. Investigadores apontam que os criminosos criaram uma estrutura de ‘diretor de governança’ para mediar conflitos e coordenar ações da organização mesmo dentro do sistema prisional. O indivíduo Arnaldo da Silva Dias, conhecido como Samurai, exercia esse papel enquanto cumpria pena na Penitenciária Gabriel Ferreira Castilho, em Gericinó.
Em um diálogo registrado, um membro do CV em Rondônia relatou um conflito entre a facção e o Primeiro Comando da Capital (PCC) em Porto Velho. O indivíduo em Gericinó orientou os integrantes da facção em Rondônia sobre a situação. Para a Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro, o diálogo indica que o preso atuava como mediador de conflitos regionais e influenciador de decisões nacionais.
A centralização do controle no presídio se intensificou após a expansão do CV para outras regiões, movimento que ganhou força desde 2016, quando o grupo rompeu a aliança com o PCC. As mensagens também trataram de regras de uma trégua firmada entre CV e PCC em 2025, acordo que durou menos de três meses.

