O atual choque energético, provocado pela escalada de conflito no Golfo Pérsico, reduz a oferta global de energia, diferindo de crises anteriores que apenas redirecionaram fluxos de comércio. O economista Gene Frieda, da London School of Economics, afirma que o cenário permanece incerto e depende da estratégia adotada pelo Irã.
Frieda apresenta duas possibilidades de ação do Irã no Estreito de Ormuz. A primeira hipótese envolve o controle efetivo do estreito, o que elevaria o risco de bloqueio da rota marítima de petróleo e gás natural, gerando disparada de preços. A segunda, considerada mais provável, é que o país use ataques esporádicos para manter um “prêmio de risco” elevado, sem interromper totalmente o fluxo de petróleo.
Essa distinção é crucial para a atuação dos bancos centrais. Se o choque se mantiver moderado, a inflação pode ser controlada sem uma nova rodada agressiva de elevação de juros. Contudo, um bloqueio efetivo exigiria uma resposta monetária mais dura para evitar inflação persistente.
O autor defende que ferramentas tradicionais são menos eficazes. Ele sugere coordenação entre política monetária e fiscal, concentrando recursos em famílias e setores vulneráveis, em vez de estímulos generalizados. Segundo Frieda, os Estados Unidos têm maior margem para essa estratégia.

