Um indivíduo, apontado como espião pela Polícia Federal e pelo FBI, relata em custódia na Penitenciária Federal em Brasília pedidos de favores de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e uma “greve de fome”. Condenado a 15 anos por uso de documento falso, ele solicita extradição antecipada para a Rússia.
As reclamações foram feitas ao Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão em fevereiro de 2024. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, negou o pedido de entrega do indivíduo à Federação russa antes do cumprimento total da pena no Brasil. Durante um encontro com procuradores, o detento explicou que pediu isolamento após presos do PCC começarem a solicitar favores, após a circulação de uma reportagem sobre as acusações de espionagem.
O detento relatou também supostas batidas em sua cela, retirada de revistas e retenção de correspondências. Ele narrou ter feito uma “greve de fome” para reaver acesso aos documentos de solicitação à administração penitenciária. O indivíduo, católico ortodoxo, pediu acesso a uma bíblia de sua religião e expressou sentir-se “injustiçado” por estar em presídio de segurança máxima por um crime de baixa gravidade.
A administração da penitenciária federal em Brasília respondeu aos questionamentos, afirmando que a cela do detento em isolamento é maior que outras do complexo e que as revistas ocorrem conforme o manual de procedimentos. Sobre a visita virtual da mãe, a gestão alegou a necessidade de trâmites formais com o Consulado brasileiro na Rússia.

