A Copa do Mundo de 2026 transformou o consumo de futebol no Brasil, migrando o evento da paralisia ritualística para a integração na rotina diária do torcedor. O esporte se tornou ubíquo, distribuído em múltiplas telas, o que marca o fim do monopólio da atenção televisiva.
O acompanhamento do torneio não exige mais um horário nobre exclusivo; os jogos ocorrem simultaneamente às atividades cotidianas. O torcedor utiliza fones de ouvido durante reuniões ou acompanha partidas em telas secundárias, refletindo a pulverização das plataformas de transmissão e a onipresença dos dispositivos móveis.
Os números de audiência confirmam essa mudança. O Grupo Globo alcançou 106,5 milhões de pessoas com a seleção brasileira, registrando um aumento de 72% no público de 18 a 34 anos. Paralelamente, a CazéTV quebrou recordes no YouTube, atingindo 100 milhões de dispositivos únicos conectados no torneio. Apesar disso, o Ibope aponta que Globo e SBT, juntas, concentram 90% dos telespectadores.
Essa fragmentação exige uma mudança no marketing. Estratégias baseadas em comerciais interruptivos de 30 segundos perdem eficácia, pois a atenção do público está disputada. Marcas de sucesso passaram a focar em acompanhar a jornada do fã, oferecendo conveniência, como cupons em tempo real ou resumos visuais em trânsito.

