A desaceleração da inflação americana reduz a pressão imediata sobre o Federal Reserve (Fed), mas não elimina o risco de alta dos juros nos Estados Unidos, afirmou Benjamim Mandel, ex-economista do banco central americano. Segundo ele, o órgão monetário permanece dividido entre combater a inflação, preservar o crescimento e recuperar a credibilidade.
Mandel explicou que o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) apresenta correntes distintas. Um grupo mantém preocupação com a inflação acima da meta, outro avalia a resiliência da economia americana, e um terceiro foca em fortalecer a credibilidade do Fed no combate à inflação. O economista declarou que os dados recentes diminuem a urgência de um aperto monetário, mas não alteram o cenário fundamental.
Para ele, uma eventual elevação dos juros pode ser adiada para reuniões futuras, caso o comportamento inflacionário mais fraco persista. Mandel comentou que, no longo prazo, o Fed possui ferramentas para atingir a meta, mas choques geopolíticos e oscilações no petróleo tornam o processo complexo no curto prazo.
Sobre os reflexos para o Brasil, Mandel afirmou que uma alta de juros nos EUA pressiona mercados internacionais. Contudo, ele acredita que qualquer ciclo de aperto será limitado, prevendo um movimento moderado, possivelmente entre 50 e 100 pontos-base. O economista concluiu que o risco de juros altos no curto prazo deve ter limites e pode ajudar a controlar a inflação no médio prazo.

