A Polícia Federal concluiu o inquérito da Operação Sem Desconto e indiciou 48 pessoas por um esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O relatório foi encaminhado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso, para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A investigação aponta que o esquema envolvia propinas e omissão na fiscalização. Segundo a Polícia Federal, um ex-presidente do INSS teria recebido cerca de R$ 250 mil mensais para deixar de fiscalizar entidades responsáveis pelos descontos. Os pagamentos eram realizados por meio de empresas de fachada, incluindo uma pizzaria.
Outros indiciados incluem o ex-procurador-geral do INSS e o ex-diretor de Benefícios, ambos presos preventivamente desde o fim de 2025. A PF informou que um dos ex-dirigentes recebeu pelo menos R$ 6,5 milhões em propinas, enquanto outro teria recebido R$ 3,4 milhões.
A atuação da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer) também foi investigada. A entidade funcionava com estrutura hierárquica para viabilizar os descontos irregulares. O presidente da Conafer foi indiciado por corrupção e organização criminosa, assim como um empresário apontado como integrante do esquema.

