Em Belém, a taxa de partos por cesariana na rede privada alcançou 80,41% em 2024, segundo um estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O levantamento, que analisou dados em São Paulo e Belém, indica que a alta incidência de cirurgias ultrapassa a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 15%.
A pesquisa, intitulada “Já decidiu sobre o parto? Influências e barreiras na decisão da via de nascimento entre gestantes”, ouviu 94 gestantes e puérperas e 37 profissionais de saúde. O estudo revela que o medo da dor e relatos de violência obstétrica são fatores decisivos para a escolha da cesariana, mesmo quando a gestante desejava um parto normal inicialmente.
Os dados mostram que, em Belém, 69,28% dos nascimentos em 2024 ocorreram por cesariana. Em São Paulo, as taxas foram de 56,19% no total e 71,05% em hospitais particulares. A falta de orientação adequada durante o pré-natal também foi apontada como barreira, com muitas mulheres relatando receber informações superficiais.
O Unicef recomenda a ampliação do acesso à analgesia e o fortalecimento do pré-natal com informações claras sobre os direitos das gestantes. O órgão também lançou a campanha “Parto normal. Uma escolha que merece respeito”, visando conscientizar sobre a autonomia feminina no processo de nascimento.

