O Itamaraty acredita que os Estados Unidos podem impor novas tarifas a produtos brasileiros, contrariando declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que não haveria tarifaço. Especialistas apontam que a investigação da Seção 301 sinaliza o risco, apesar da imprevisibilidade do presidente Donald Trump.
Diplomatas citam a entrevista do representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, em 9 de julho, como sinalização de taxação. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, acompanha o tema, que é prioridade em sua pauta, buscando evitar a imposição de tarifas. A proposta dos EUA se baseia na investigação da Seção 301, instrumento que permite sanções comerciais a países com práticas consideradas prejudiciais aos interesses americanos.
A investigação dos EUA aponta temas como supostas práticas comerciais desleais, proteção de propriedade intelectual, ferramentas de pagamento eletrônico, citando o Pix, e deficiências no combate à corrupção. Atualmente, o Brasil ocupa a 13ª posição entre os países com maiores tarifas médias impostas pelos EUA, com 11,73% de tarifa efetiva.
Caso o tarifaço de 25% seja confirmado pelo governo Trump, o Brasil saltaria para a segunda posição. Segundo dados, a China teve aumento médio de 27% no segundo mandato de Trump, enquanto o Brasil teria um aumento médio previsto de 18%, segundo Johannes Fritz, diretor do St. Gallen Endowment.

