As importações de petróleo bruto da China despencaram 41,3% em junho, em comparação com o ano anterior, atingindo o menor nível mensal em quase uma década. O volume de embarques caiu para quase 29,3 milhões de toneladas, segundo dados da Administração Geral de Alfândegas.
A redução acentuada aponta para uma mudança na demanda do maior comprador global de petróleo. Essa alteração é causada pela alta de preços, decorrente da guerra no Oriente Médio, pela rápida adoção de veículos elétricos e pelo aumento da produção química interna na China.
O Goldman Sachs estimou que cerca de 90% da perda na demanda global de petróleo no segundo trimestre de 2026 é temporária. Contudo, a queda chinesa levanta questionamento sobre se é um recuo passageiro ou uma mudança duradoura na demanda por petróleo, afirmou Daan Struyven, co-chefe de pesquisa global de commodities do Goldman Sachs.
O fechamento efetivo do estreito de Ormuz no primeiro semestre deste ano, após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, elevou os preços médios de importação da China em 60% em maio e 55% em junho. Paralelamente, a adoção de veículos elétricos reduziu o consumo de combustíveis, com a demanda por gasolina e diesel caindo de 10% a 13% desde abril, segundo Liao Na, gerente-geral da consultoria de energia GL Consulting.

