O ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União (TCU), deve apresentar voto favorável à retomada das obras do trecho Salgueiro–Suape da Ferrovia Transnordestina. A Corte de Contas analisa nesta quarta-feira, 15 de julho de 2026, embargos de declaração apresentados pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pela Infra S.A. sobre a suspensão financeira do projeto.
A decisão anterior, contida no Acórdão nº 1218 de 2026, impedia que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. assumissem novos compromissos financeiros até que fosse apresentada uma base técnica idônea sobre a pertinência socioeconômica do investimento. Essa determinação paralisou a contratação do lote SPS 04, um segmento de 73,3 km entre os municípios de Custódia e Arcoverde.
O voto de Zymler baseia-se em um novo estudo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), entregue ao TCU em 13 de julho. A análise estima que a conclusão do ramal geraria um Valor Social Presente Líquido (VSPL) positivo de R$ 4,76 bilhões e uma taxa de retorno econômico de 15,53%. O ramal Salgueiro–Suape possui 179 km com infraestrutura concluída e outros 126 km parcialmente construídos, segundo levantamento do próprio TCU.
A revisão da Sudene atualiza a matriz de cargas, incluindo movimentação interna do Nordeste, como gesso e fertilizantes. O estudo projeta que a ferrovia movimente de 18 milhões a 24 milhões de toneladas anuais, gerando cerca de 13.000 empregos diretos na implantação e 9.600 postos permanentes na operação. O congressista Humberto Costa defendeu a obra, afirmando que a ligação com Suape pode reduzir o frete de exportação em aproximadamente 30%.

