A Copa do Mundo de 2026 expõe contradições geopolíticas ao sediar o torneio nos Estados Unidos, um país ligado a conflitos internacionais. O evento, que a FIFA promove sob a bandeira da união, enfrenta tensões evidentes, como restrições logísticas impostas à seleção do Irã.
O futebol, enquanto instituição social, reproduz contradições do contexto sócio-histórico. A escolha da sede principal levanta questionamentos, visto que, enquanto a Rússia foi banida por conflito com a Ucrânia, os EUA sediam o torneio mesmo estando ligados a ataques ao Irã e ao genocídio palestino, segundo a imprensa.
A seleção do Irã, classificada em primeiro lugar de seu grupo, sofreu restrições logísticas e diplomáticas promovidas pela Casa Branca. Isso obrigou a delegação a concentrar-se em Tijuana, no México, apesar dos jogos ocorrerem nos EUA. Em 23 de junho, autoridades estadunidenses criaram entraves, resultando em atrasos no jogo entre Irã e Egito, conforme comunicado da Federação Iraniana de Futebol (FFI).
As manifestações pró-Palestina também marcaram o torneio. Antes de partida entre Canadá e Bósnia e Herzegovina, manifestantes exigiram a expulsão de Israel da FIFA. O técnico egípcio Hossam Hassan comemorou vitórias levantando bandeiras palestinas e declarou: “Eu imploro, deixem o povo palestino viver”. Essa postura gerou ofensas racistas de torcedores argentinos, que resultaram em cartão amarelo para o técnico egípcio.
Além disso, o lucro tem centralidade no evento, evidenciado pelo sistema de precificação dinâmica de ingressos, que chega a custar até 60 mil reais. O futebol, assim, funciona como um campo de disputas, reproduzindo as contradições da sociedade capitalista.

