A Polícia Federal acusa o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de receber até R$ 250 mil por mês em propina. O pagamento teria ocorrido para que o gestor não fiscalizasse entidades que aplicavam descontos ilegais em aposentadorias e pensões.
O primeiro relatório final da Operação Sem Desconto, enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), indiciou 48 pessoas por crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, o ex-presidente se omitiu deliberadamente diante das irregularidades praticadas por associações.
A investigação aponta que parte da propina era paga pela Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). Os repasses teriam sido feitos por meio de empresas de fachada, e planilhas encontradas pelos investigadores registram pagamentos atribuídos à Conafer, coincidindo com transferências bancárias.
Além do ex-presidente do INSS, foram indiciados o ex-procurador-geral do INSS, o ex-diretor de Benefícios e um lobista. O relatório, que trata exclusivamente da investigação sobre a Conafer, foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF.

