O setor brasileiro de mel orgânico enfrenta risco devido à possível adoção de novas tarifas pelos Estados Unidos. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), cerca de 80% do volume exportado tem destino ao mercado americano, e qualquer tarifa impacta toda a cadeia produtiva.
A incerteza sobre a decisão do governo americano dificulta o planejamento das empresas do segmento. Um aumento tarifário de 25%, ou até 37,5% com cobrança adicional por investigação de trabalho forçado, afetaria desde o importador até o produtor rural, segundo o presidente da Abemel. Esse cenário pode levar à redução da demanda americana e à queda do preço internacional.
A diversificação de mercados é uma alternativa, mas o processo é gradual. O setor também lida com o embargo ao mel brasileiro na União Europeia, que entra em vigor em 3 de setembro, limitando as opções de exportação no curto prazo. Mercados como o Canadá não absorveriam o volume total imediatamente.
Para mitigar os impactos de uma possível queda nas exportações, o presidente da Abemel sugeriu ampliar o consumo interno. Ele comparou o consumo doméstico ao americano, afirmando que enquanto os EUA consomem entre um quilo e um quilo e meio por habitante anualmente, o Brasil consome cerca de 50 gramas, indicando espaço para incentivo.

