A Polícia Federal indiciou 48 pessoas na Operação Sem Desconto, que investiga irregularidades envolvendo a Conafer. O relatório aponta agentes públicos que atuavam para blindar administrativamente e politicamente os descontos indevidos em benefícios do INSS.
A investigação identificou agentes que a organização criminosa tratava como “Heróis”, “Notáveis” ou “Amigos”. Entre os indiciados, estão ex-servidores que facilitavam a continuidade das fraudes. O relatório foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso, e será analisado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entre os nomes apontados, um ex-procurador-geral federal junto ao INSS, conhecido como “Herói V”, teria recebido pelo menos R$ 6,5 milhões em propinas para destravar acordos e impedir fiscalizações. Outro agente, ex-diretor de Benefícios do INSS, teria recebido pelo menos R$ 3,4 milhões por chancelar omissão fiscalizatória.
O relatório detalha a atuação de outros envolvidos. Um ex-procurador-geral e ex-presidente do INSS, apontado como sustentação institucional, teria recebido propinas mensais de até R$ 250 mil. Um ex-ministro do Trabalho e Previdência teria destravado repasses de cerca de R$ 15,3 milhões sem fiscalização, recebendo pelo menos R$ 550 mil em triangulações bancárias.


