As ações da Ânima (ANIM3) caíram 32,75% na sessão seguinte ao anúncio da compra da FMU, na última terça-feira (14). A forte reação negativa do mercado reflete a percepção de que a transação aumenta os riscos da companhia, contrariando a expectativa de desalavancagem.
Diversas casas de análise reconheceram o potencial da aquisição para reforçar a presença da Ânima em São Paulo, mas passaram a ver uma relação risco-retorno menos favorável no curto prazo. O principal fator da desaprovação foi a mudança de narrativa: os investidores esperavam que a empresa focasse na redução da dívida, e não em um novo ativo, segundo a XP.
O ambiente de juros elevados também contribuiu para o ceticismo. A administração da Ânima justificou a compra pela atratividade estratégica da FMU, mas o mercado ponderou o histórico de recuperação judicial da FMU, que adiciona uma camada de risco à operação.
As revisões de preço-alvo vieram de grandes instituições. O BTG Pactual rebaixou a recomendação de compra para neutra e cortou o preço-alvo de R$ 7 para R$ 4. Já o Morgan Stanley reduziu a recomendação de overweight para equalweight, diminuindo o preço-alvo de R$ 6 para R$ 3,90, citando que a transação altera o perfil de risco da tese da empresa.

