Reguladores da União Europeia determinaram, nesta quinta-feira, que o Google deve remover restrições que limitam o acesso de empresas rivais de inteligência artificial a usuários de smartphones Android. A medida visa impedir que a gigante de tecnologia use sua vasta base de usuários para obter vantagem no mercado de IA, prejudicando concorrentes como OpenAI e Anthropic.
A decisão responde ao temor de que o Google utilize sua base de usuários do Android, sistema operacional presente em cerca de 60% dos smartphones da União Europeia, para consolidar poder no setor de inteligência artificial. Empresas de IA buscam maior integração em dispositivos móveis para atuar como assistentes pessoais, o que coloca Google e Apple em posição de grande vantagem por desenvolverem os sistemas operacionais mais usados no mundo.
As autoridades europeias exigiram que o Google garanta às empresas concorrentes “condições de igualdade”, abrangendo acesso a comandos de voz e capacidade de executar ações em aplicativos. A determinação é vinculante, e a empresa deve implementar as mudanças até julho do próximo ano. Além disso, o Google foi obrigado a compartilhar dados anonimizados de seu mecanismo de busca com desenvolvedores de chatbots de IA até janeiro.
Em comunicado, o diretor jurídico do Google, Kent Walker, afirmou que as determinações europeias “correm o risco de comprometer importantes mecanismos de proteção de privacidade e segurança para milhões de europeus”. A União Europeia amplia sua fiscalização para a IA, vendo a tecnologia como nova porta de acesso aos serviços digitais.

