A imposição de uma tarifa de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros afeta cerca de US$ 15 bilhões em manufaturados, resultando em um custo adicional estimado em US$ 3,75 bilhões para as exportadoras. O impacto, contudo, é visto como limitado por oito especialistas de mercado, que apontam para a proteção de setores chave.
A estimativa, apresentada por Cassio Viana de Jesus, diretor de Investimentos e Negócios da Pilar Capital, calcula o custo extra com base no percentual aplicado aos itens manufaturados. Apesar do impacto direto, a amplitude da lista de exceções, que protege mais de dois mil códigos de produtos, é considerada um fator de alívio. André Matos, CEO da MA7 Negócios, afirmou que essa abrangência protege itens centrais da pauta, como café, carne bovina, minério de ferro e aeronaves.
Setores mais expostos à sobretaxa incluem siderurgia, metalurgia, máquinas e bens industriais, segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos. Valdir Piran Jr., CEO da Intra Asset, adicionou açúcar, madeira, etanol e tabaco a essa lista de segmentos sensíveis. Para Cassio Viana de Jesus, o maior risco do movimento recai sobre a política monetária, pois a redução nas exportações pode fortalecer o dólar e gerar pressão inflacionária.
Apesar da incerteza, que Peterson Rizzo, head de Relações com Investidores da Multiplike, aponta como fator de adiamento de investimentos, a tarifa entra em vigor em 22 de julho. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, reforçou que a atenção do mercado deve se manter voltada à possibilidade de uma sobretaxa adicional de 12,5% em discussão.

