Negociações sobre tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos a cerca de 3 mil produtos brasileiros não serão prioridade do governo antes das eleições, segundo Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior. Ele afirma que o Brasil deve concentrar esforços no pleito, enquanto os EUA priorizam outras discussões internacionais.
Barral, consultor da BMJ, projetou que os avanços nas tratativas comerciais podem demorar até o próximo ano. Ele explicou que o Brasil deve aplicar a Lei da Reciprocidade como retaliação, mas esse processo é lento, pois exige consulta pública e análise da Câmara de Comércio Exterior (Camex) sobre os impactos.
A Câmara do Comércio Americana informou que o ‘tarifaço’ afeta US$ 11 bilhões em exportações do agronegócio e da indústria. O diplomata Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda, declarou que as tarifas foram aplicadas por motivos político-ideológicos contra o presidente Lula. Ele sugeriu que o Brasil busque compensar perdas em mercados asiáticos, que representam cerca de 50% das exportações.
Ricupero avaliou que a normalização das relações comerciais com os Estados Unidos só deve ocorrer na era pós-Trump. Ele também mencionou que os EUA aplicam medidas tarifárias contra diversos países, e que as negociações, embora continuem, serão longas e envolverão ameaças mútuas.

