Setores econômicos brasileiros calculam os impactos negativos da tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos. Associações do setor privado buscam reverter a medida, mas alertam que a falta de solução pode levar à perda de vendas e à demissão de trabalhadores.
A imposição da tarifa ocorreu na noite de quarta-feira, dia 15. Alguns setores já previam o impacto, enquanto outros tentavam negociar com autoridades americanas, mas tiveram os pedidos rejeitados. A indústria de calçados, por exemplo, considera a decisão um retrocesso comercial. A Abicalçados informou que a nova restrição inviabiliza operações retomadas e calcula que a perda de competitividade deve afetar 7,1% das exportações totais do setor.
A sobretaxa de 25% se soma aos 10% já aplicados, elevando o pedágio para 35%. Segundo a Abicalçados, isso torna quase impossível manter as exportações para os EUA, afetando regiões como o interior de São Paulo e o Rio Grande do Sul. O presidente-executivo da entidade disse que o tipo de calçado exportado é específico ao mercado americano, dificultando o redirecionamento dos produtos.
Outros setores também registraram preocupação. A Abimaq apontou que a tarifa aumenta a incerteza no comércio bilateral, visto que os EUA são o principal destino de cerca de US$ 3,2 bilhões (R$ 16,2 bilhões) em exportações de máquinas e equipamentos em 2025. A CNI avalia que a sobretaxa ampliará perdas, citando que, no primeiro semestre deste ano, 20 dos 27 estados brasileiros já registraram queda nas exportações para os EUA.

