O setor frigorífico brasileiro projeta um segundo semestre de 2026 sob pressão, com a ameaça de suspensão das exportações de carne para a União Europeia a partir de setembro. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) também prevê queda nas vendas para a China, afetando o caixa das empresas.
Roberto Perosa, presidente da Abiec, informou em relatório anual que a União Europeia representa entre 5% e 6% do faturamento das exportações brasileiras de carne bovina. Embora o volume seja menor que o da Ásia, o mercado europeu possui alto valor agregado e grande peso reputacional. Restrições nesse bloco tendem a impactar comercialmente outros continentes, como Américas e África.
A dificuldade financeira reflete-se diretamente no setor. Perosa disse que a maioria das indústrias opera no vermelho, e há registros de demissões e redução de abates como medida de contenção. O cenário foi agravado pelas medidas chinesas, que reduzem a projeção de exportação para o país asiático para cerca de 900 mil toneladas neste ano.
No mercado interno, a sobra de carne pode reduzir preços no curto prazo. Contudo, a Abiec projeta que, com a diminuição da produção, os preços tendem a se manter estáveis ou aumentar no segundo momento.

