Um novo medicamento para o Alzheimer, que atua na proteína tau, demonstrou em testes iniciais a capacidade de reduzir o declínio cognitivo em até 50%. O fármaco, desenvolvido pela farmacêutica Biogen, segue para a última fase de estudos antes de um possível pedido de aprovação.
A doença de Alzheimer é um diagnóstico neurodegenerativo caracterizado pela perda de memória e cognição, associada ao acúmulo de proteínas beta-amiloide e tau no cérebro. Enquanto terapias anteriores, como o lecanemabe e o donanemabe, focaram na beta-amiloide, este novo tratamento direciona-se à proteína tau.
Os dados de fase dois, apresentados em congresso internacional, envolveram 416 participantes com média de 86 anos e comprometimento cognitivo leve. A dosagem mais baixa, de 60 mg, apresentou resultados notáveis, diminuindo os níveis de tau no líquido céfalo-raquidiano em 50% a 65%.
Essa redução se traduziu em benefícios cognitivos, com diminuição de até 50% na escala Mini-Exame do Estado Mental (MMSE) e 42% na escala ADAS-Cog13. A professora de Neurologia Clínica da University College London, Cath Mummery, afirmou que os dados mostram que reduzir o acúmulo de tau pode gerar um benefício visível no dia a dia dos pacientes.
A Vice-Presidente Executiva e Chefe de Desenvolvimento Global da Biogen, Priya Singhal, comentou que, se os resultados forem confirmados na Fase 3, o medicamento poderá ser uma nova arma terapêutica contra a doença, e que os pacientes necessitam de tratamentos que ataquem a complexidade do Alzheimer por diferentes frentes.

