Pesquisadores analisaram seis múmias de princesas enterradas em Dahshur, Egito, e concluíram que essas mulheres utilizavam armas, como arcos e adagas, em atividades de caça e combate. A descoberta, detalhada por Zeinab Hashesh, indica que as figuras reais egípcias não possuíam apenas objetos simbólicos.
A análise física das múmias, redescobertas em 2020 durante um projeto de curadoria no Museu Egípcio, forneceu respostas sobre o papel das mulheres na sociedade egípcia antiga. Segundo Zeinab Hashesh, arqueóloga da Universidade de Beni-Suef, membros da família real, especialmente as mulheres, participavam de atividades físicas exigentes, como tiro com arco e caça.
O estudo, publicado na revista Frontiers in Environmental Archaeology, focou em múmias que foram escavadas no final do século XIX no complexo funerário de Dahshur. A princesa Ita, por exemplo, apresentava fortes inserções musculares no tronco superior, o que sugere uso habitual de armas como maças ou adagas. A irmã Itaweret exibiu sinais físicos de habilidade em tiro com arco antes de falecer entre os 20 e 34 anos.
Os achados demonstram que as armas encontradas nos túmulos não eram meros adornos. Hashesh explicou que o desenvolvimento dos membros superiores das irmãs sugere ações repetitivas de alta intensidade, como puxar cordas de arco ou segurar armas pesadas. Apesar de algumas múmias apresentarem deficiências nutricionais, os achados comprovam a participação ativa dessas mulheres.

