Pescadores em atuneiros chineses na costa da África Ocidental cortam barbatanas de tubarões vivos antes de devolvê-los ao mar, onde os animais morrem sufocados. A prática, conhecida como ‘finning’, alimenta o tráfico ilegal de barbatanas para a Ásia, segundo um relatório da ONG Environmental Justice Foundation (EJF).
A prática de cortar as barbatanas e descartar o restante do tubarão, muitas vezes vivo, no oceano é amplamente proibida por convenções internacionais. Contudo, o relatório da EJF aponta que dezenas de embarcações atuneiras chinesas e taiwanesas desembarcaram barbatanas ilegalmente em Dacar, um porto movimentado da África. Ambientalistas classificam o método como “cruel e desperdiçador”, comparando-o à caça furtiva de rinocerontes.
O declínio das populações de tubarões é severo; especialistas citam uma queda de 71% nas populações globais desde 1970, conforme estudo publicado na revista Nature. A ICCAT, órgão regulador da pesca no Atlântico, proíbe a preservação de certas espécies a bordo e estabelece limite de 5% do peso total para as barbatanas.
Pesquisadores entrevistaram pescadores de frotas autorizadas e descobriram que, dos 130 atuneiros monitorados, 71 atracaram em Dacar no período. Depoimentos indicaram que 41 embarcações praticavam o ‘finning’, com 24 delas realizando o desembarque das barbatanas. Um especialista da EJF, Steve Trent, afirmou que os tubarões são “fundamentais para a integridade ecológica do oceano”.

