O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, declarou nesta quinta-feira, dia 16 de julho de 2026, que os Estados Unidos exigiram uma “capitulação” do Brasil durante as negociações sobre tarifas impostas a produtos brasileiros. Vieira afirmou que Washington pedia abertura irrestrita de setores da economia sem apresentar contrapartidas para o mercado norte-americano.
Vieira, em pronunciamento no Palácio Itamaraty, disse que o governo brasileiro rejeitou as demandas americanas por considerá-las benéficas apenas aos EUA. “Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”, declarou o chanceler. Ele explicou que os norte-americanos defendiam a abertura “total, irrestrita e exclusiva” de setores sensíveis da economia nacional, o que, segundo ele, equivalia a exigir a capitulação.
O ministro também informou que o Brasil participou das negociações desde antes do anúncio do aumento tarifário. Segundo Vieira, foram realizadas mais de 30 reuniões em níveis presidencial, ministerial e técnico desde março de 2025. O governo brasileiro considera as tarifas motivadas por razões políticas e afirmou que as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para a investigação comercial não têm fundamento.
A tarifa de 25% foi proposta em 1º de junho de 2026, após o USTR concluir a investigação da Seção 301 contra o Brasil. O documento do USTR listou temas como comércio digital, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal entre os alvos da apuração. O Planalto considerou as tarifas “injustas” e retirou temas como o Pix da mesa de negociação.

