A imposição de tarifa de 25% pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, que passa a valer em 22, gerou reação nos ativos domésticos, com queda no Ibovespa e alta no dólar. O temor do mercado foca na possível retaliação do Brasil, via Lei de Reciprocidade, e na incerteza de uma escalada comercial.
Apesar da extensa lista de mais de dois mil itens de exceção, a medida americana provocou oscilações no mercado. No dia seguinte à divulgação, o Ibovespa fechou em queda de 1,24%, e o dólar avançou 0,4%, cotado em torno de R$ 5,10. Analistas apontam que o mercado ainda não precificou totalmente os riscos futuros, especialmente a resposta do governo brasileiro.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, sinalizou que o governo implementará a lei da reciprocidade no momento adequado. A economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa, explicou que a aplicação da lei exige etapas burocráticas, o que deve levar meses para se definir as ações. Contudo, o risco de escalada é visto como o mais delicado por especialistas.
André Matos, CEO da MA7 Negócios, declarou que o problema da reciprocidade não é o tamanho da retaliação, mas a sinalização, pois uma resposta abre caminho para uma guerra comercial. Além disso, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, informou que a decisão sobre uma tarifa adicional de 12,5% deve ser divulgada na próxima semana.

