A combinação de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e a piora na percepção das contas públicas brasileiras pode intensificar a saída de capital estrangeiro no curto prazo, pressionando o câmbio e o mercado de ações, avalia a analista Bruna Allemann, da Nomos.
A disputa comercial deixou de ser apenas um tema político, segundo a analista. Ela afirmou que o conflito representa um risco direto para a atividade econômica, a inflação e a situação fiscal do país. A preocupação cresceu com a possibilidade de expansão de linhas de crédito para empresas afetadas pelas tarifas, gerando dúvidas sobre a capacidade de pagamento dessas dívidas em um ambiente de incerteza.
Sobre a Lei da Reciprocidade Econômica, Allemann comentou que uma resposta brasileira pode aumentar o risco percebido sobre ativos locais, principalmente se produtos estratégicos forem atingidos. Ela ressaltou que a eficácia da medida depende mais da escolha dos produtos do que do volume da tarifa. A analista sugeriu que o Brasil explore produtos não taxados nos EUA e busque novos mercados, como alternativa a novas tarifas.
A analista também defendeu o fortalecimento de acordos comerciais, como a aproximação com a União Europeia. Ela explicou que, embora o mercado brasileiro apresente empresas a preços atrativos, o investidor internacional tem focado o país em operações de curto prazo, e não em alocação estrutural de capital. Mudanças no ambiente fiscal ou comercial podem provocar uma retirada rápida desses recursos.

