A preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) gera aumento de ansiedade entre estudantes, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV). O estudo revelou que 63% dos alunos sentem ansiedade severa ao pensar no futuro profissional e na realização da prova.
Especialistas atribuem esse quadro à “síndrome do desempenho”, fenômeno em que o estudante vincula seu valor pessoal exclusivamente à nota obtida no Enem. Essa associação gera rotina de autocobrança, excesso de estudos e sensação de insuficiência. Juliana Evelyn, coordenadora pedagógica da Rede Enem, explicou que a combinação da preparação intensa com a formação de identidade de jovens de 17 e 18 anos torna o processo mais desgastante.
A pressão é potencializada pelo ambiente digital. Em plataformas como Instagram e TikTok, estudantes são expostos a rotinas de estudo de até 12 horas diárias, o que gera comparação constante com conteúdos editados. O estresse crônico resultante reduz a capacidade de concentração e dificulta a retenção de conteúdo, aumentando os “brancos” durante as avaliações.
Os sintomas de preocupação extrema vão além da ansiedade, incluindo insônia persistente, dores de cabeça e problemas gastrointestinais. Além disso, a pressão pela aprovação imediata afeta estudantes de rede pública, para quem a vaga universitária representa a única chance de prosseguir os estudos antes de ingressar no mercado de trabalho.

