Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descobriram que 9 em cada 10 médicos jovens no Brasil não se sentem aptos a comunicar más notícias aos pacientes. O estudo, publicado na Revista Bioética, revelou que 4 em cada 10 participantes não receberam treinamento específico sobre o tema durante a graduação.
A pesquisa envolveu 2.418 médicos candidatos a programas de residência da Unifesp, com média de idade de 27 anos. Os dados indicam que 92% dos profissionais avaliaram que sua formação não os preparou satisfatoriamente para essa prática. Para 83,9% dos entrevistados, o processo de comunicação de más notícias deve envolver outros profissionais, como psicólogos e enfermeiros.
Daniel Alveno, fisioterapeuta e um dos autores da pesquisa, comentou que a comunicação compassiva é essencial para ajudar o paciente a enfrentar sua condição. Os autores do artigo defendem que os achados reforçam lacunas na formação médica, exigindo a reformulação dos currículos para incluir treinamento estruturado, com foco técnico e emocional.
O estudo também apontou uma contradição ética: quase 99% dos participantes declararam que prefeririam receber notícias diretamente, mas mais de 30% admitiram que compactuariam com a omissão de informações a pedido da família.

