O governo brasileiro busca captar cerca de 10 bilhões de yuans, ou US$ 1,48 bilhão, por meio de uma transação inaugural de panda bonds ainda este ano. A iniciativa visa diversificar as fontes de empréstimo do país e reduzir a dependência do dólar americano, segundo o Secretário do Tesouro, Daniel Leal.
A entrada no mercado de títulos domésticos da China é inédita para uma nação latino-americana e faz parte da estratégia do governo para estreitar laços financeiros com Pequim. Autoridades do Ministério da Fazenda veem espaço para o Brasil aumentar a fatia de sua dívida atrelada a moedas estrangeiras, que hoje representa 4% do total.
Especialistas apontam que o mercado é voltado para empresas com presença relevante na China. Rafael Basso, gestor de portfólio de crédito da AZ Quest, disse que a China tenta se abrir para mais emissores estrangeiros, mas o processo ocorre gradualmente. A Suzano foi a primeira empresa da América Latina a emitir um panda bond em 2024, e permanece como a única emissora da região no mercado.
O Banco Central chinês confirmou em junho que as portas estão abertas para tomadores brasileiros. As vendas de panda bonds registraram um recorde de 173 bilhões de yuans no acumulado deste ano. No entanto, barreiras como burocracia e a preferência dos investidores chineses por notas de crédito altas limitam o crescimento do mercado para empresas brasileiras.

