O espanhol falado na Argentina apresenta variações distintas do espanhol insular, um fenômeno que se consolidou a partir do século XIX. Essa diferenciação linguística decorreu de mudanças populacionais e da forte influência da imigração italiana no país.
Apesar de compartilharem a mesma língua, o espanhol argentino desenvolveu vocabulário e dialetos próprios. Professores de espanhol apontam que o processo de diferenciação começou quando o Estado argentino incentivou a chegada de europeus, majoritariamente italianos, para promover o “embranquecimento” da população.
Estudos indicam que cerca de 45% dos estrangeiros que chegaram à Argentina entre 1857 e 1940 eram italianos. Essa chegada, somada a políticas segregacionistas que afetaram negros e nativos, alterou o perfil populacional e, consequentemente, as marcas linguísticas. A professora titular de literatura hispano-americana da UFF, Lívia Reis, explicou que a prosódia do dialeto reflete forte influência italiana.
Fenômenos como o cocoliche e o lunfardo surgiram desse contato. O lunfardo, popularizado no tango, possui aproximadamente 6 mil palavras e se caracteriza por jogos de palavras, como transformar “amigo” em “gomia”. Estruturalmente, a língua é a mesma, mas o uso de pronome e a musicalidade diferem.

