A família Bolsonaro alterou sua relação com os Estados Unidos em cerca de 30 anos. Em 1995, o então deputado federal Jair Bolsonaro criticava a “cobiça internacional” sobre a Amazônia. Hoje, o ex-presidente e seus filhos demonstram alinhamento, como visto em encontros com figuras americanas.
Em janeiro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro disse a Al Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos, que o Brasil desejava explorar riquezas da Amazônia junto com os EUA. O convite gerou estranhamento no interlocutor. Essa postura de proximidade se repete com os filhos do ex-presidente, como o senador Flávio Bolsonaro, que viajou ao país e se reuniu com o presidente Donald Trump.
Nos anos 1990 e 2000, a família Bolsonaro adotava um discurso nacionalista crítico aos americanos. Em agosto de 1995, o então deputado federal Jair Bolsonaro afirmou que a demarcação da terra indígena Yanomami era alvo de “cobiça internacional”. Carlos Bolsonaro, então vereador no Rio de Janeiro, criticou a relação com os EUA, dizendo que o governo brasileiro estava “de cócoras para os EUA”.
Segundo o cientista político Jorge Chaloub, a desconfiança inicial vinha de um nacionalismo de direita que questionava o interesse do capital estrangeiro. Contudo, a partir de 2013, houve uma mudança de discurso. O alinhamento se acentuou com a sobreposição dos governos Trump e Bolsonaro, quando o bolsonarismo passou a mimetizar o movimento Maga, segundo Feliciano Guimarães.

