O governo brasileiro planeja lançar Panda Bonds na China para captar cerca de 10 bilhões de yuans, conforme afirmou o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal. A emissão inaugural, que pode ocorrer ainda neste ano, visa diversificar o financiamento nacional e reduzir a dependência do dólar, estreitando laços financeiros com a China.
A iniciativa faz parte do movimento mais amplo do governo de estreitar laços com a China, a maior economia do Bloco BRICS. Especialistas apontam que o mercado pode beneficiar empresas com receitas ligadas ao país asiático, como Vale, WEG e Embraer. Contudo, gestores de crédito internacional explicam que o acesso é restrito a um público específico, com empresas que possuem mercado relevante na China.
O mercado chinês de dívida tem crescido. Em junho, o Banco Popular da China manifestou interesse na entrada de tomadores brasileiros. As emissões de Panda Bonds atingiram um recorde de 173 bilhões de yuans neste ano, um aumento de cerca de 70% em relação ao mesmo período de 2025. Empresas estrangeiras emitiram um cupom médio de 1,97%, considerado mínimo histórico.
Apesar do crescimento, há desafios. O processo burocrático para novas emissões pode levar de cinco a seis meses, e investidores preferem emissores com maior classificação de risco. A Suzano foi a pioneira na América Latina em 2024, realizando um swap dos recursos captados para dólares, o que manteve o custo da dívida inferior ao do mercado americano.

