Pesquisadores alertam que a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) corre risco de deterioração devido a problemas de gestão e cortes orçamentários. O estudo, realizado entre 2023 e 2024, aponta que a verba de pesquisa caiu de R$ 400 milhões em 2010 para R$ 65 milhões em 2024.
O levantamento, intitulado “Embrapa entre o legado, o futuro e as transformações necessárias”, foi coordenado por Ana Célia Castro, professora da UFRJ, e Antônio Márcio Buainai, professor da Unicamp. Os pesquisadores avaliam um risco elevado, citando a “deterioração silenciosa das capacidades que sustentaram as contribuições da empresa por décadas”.
O documento detalha que o orçamento global de custeio encolheu de R$ 633,8 milhões em 2011 para R$ 299,7 milhões em 2025. Além dos cortes, o estudo aponta que a estrutura de cargos gera um “teto precoce” para muitos pesquisadores, o que desincentiva a inovação e dificulta a atração de cientistas de dados e especialistas em inteligência artificial.
Apesar dos riscos apontados, a estatal é reconhecida por sua contribuição ao agronegócio brasileiro. Pesquisas da Embrapa permitiram a ocupação do Cerrado com culturas como soja e milho, que hoje respondem por 60% do que é cultivado no país. A técnica de fixação biológica de nitrogênio, desenvolvida em seus laboratórios, gera economia aos produtores e reduz o impacto ambiental.

