Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) criticaram a decisão de Alexandre de Moraes que suspendeu, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A ordem, baseada em uma carta divulgada pelo senador, levou em conta a cautelar que proíbe o ex-presidente de usar redes sociais, gerando críticas internas e acusações de perseguição política.
A suspensão das visitas foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a divulgação de uma carta por Flávio Bolsonaro nas redes sociais. O ministro entendeu que a conduta poderia configurar violação à cautelar que proíbe o ex-presidente de utilizar plataformas digitais, mesmo por intermédio de terceiros. Críticas a Moraes surgiram inclusive de membros do próprio STF, que afirmaram que “nem tudo é violação de cautelar”.
Alguns ministros compararam o episódio a uma carta escrita por Luiz Inácio Lula da Silva em 2018, quando o petista estava preso em Curitiba. Um integrante da Corte declarou que o STF é uma instituição “centenária” que necessita de calma em momentos de agitação. Outro ministro defendeu a decisão, explicando que Bolsonaro não pode produzir conteúdo veiculado em perfis de terceiros, sob pena de esvaziar a cautelar.
A medida provocou reação de bolsonaristas, que acusaram o STF de atuar contra a candidatura do senador. O advogado que defende Flávio Bolsonaro classificou a decisão como “inconstitucional” e anunciou que tomará medidas judiciais para reverter a ordem supostamente “ilegal” de Moraes. O ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre pena em domiciliar desde março deste ano.

