Briozoários, organismos que se assemelham a rendas, foram encontrados em grande quantidade nos Molhes da Barra, na Praia do Cassino, em Rio Grande (RS), no último final de semana. A aparição despertou dúvidas sobre a natureza dos aglomerados, que se confundem com algas, mas não causam danos diretos.
O professor Renato Mitsuo Nagata, do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal de Rio Grande (FURG), explicou que a identificação dos briozoários pode ser feita visualmente. Eles possuem formato ondulado e cor esbranquiçada, apresentando pequenos poros transparentes, que funcionam como ‘casinhas’ para cada indivíduo. A principal diferença entre esses animais e as algas é que os briozoários não realizam fotossíntese, alimentando-se de micro-organismos suspensos na água do mar por filtração.
A espécie é considerada exótica, pois não se desenvolve naturalmente na região do Rio Grande do Sul nem em Santa Catarina, onde também houve registros. Hipóteses sobre a chegada dos organismos apontam para embarcações, que podem transportar água de lastro ou animais aderidos ao casco. Nagata observou que os eventos de grande abundância ocorrem de forma eventual, frequentemente após a passagem de frentes frias.
Pesquisadores planejam aprofundar os estudos para confirmar a espécie e traçar o histórico da população. Eles farão a comparação do DNA dos organismos encontrados com dados genéticos de repositórios. Caso a frequência e a abundância aumentem, ou se houver indícios de danos à pesca ou à balneabilidade, será possível discutir a classificação como invasora biológica.

