Indústrias brasileiras de médio porte utilizam galpões e plantas operacionais como garantia para acessar crédito estruturado. O mecanismo permite que as empresas reduzam o custo do capital, já que linhas de giro sem garantia podem ultrapassar 27% ao ano.
O mercado de capitais brasileiro já possui o crédito estruturado com garantia imobiliária, mas o acesso antes era restrito a grandes corporações. Estruturas que antes exigiam tíquetes de centenas de milhões passaram a ser desenhadas para empresas de médio porte com ativos no balanço.
Vinicius Teixeira, fundador da GX Capital, boutique financeira, explicou que o trabalho de estruturação é fundamental. A lógica da operação, batizada de “destravamento do ativo travado”, insere o imóvel operacional como garantia real, diminuindo o custo do capital sem que a empresa perca a posse ou o uso do bem.
Em setores como indústria de transformação e agroindústria, a diferença de taxa entre linhas de crédito comum e as com garantia real altera a matemática de projetos de crescimento. Um exemplo citado envolveu uma indústria de conservas que substituiu linhas curtas e caras por capital de giro de longo prazo usando sua própria planta como garantia.
Com a taxa Selic elevada e a pressão do custo de capital no segundo semestre de 2026, a alternativa de usar ativos imobiliários deixou de ser exclusiva de grandes empresas, segundo Teixeira.

