Lideranças do agronegócio criticam a estratégia adotada por um pré-candidato do PL à Presidência durante a crise comercial com os Estados Unidos. Empresários afirmam que a viagem a Washington foi contraproducente, alegando que o senador priorizou debates ideológicos em detrimento de temas econômicos vitais para o campo.
As críticas surgem mesmo após o governo americano decidir excluir da tarifa de 25% diversos produtos brasileiros, como carne bovina, pescados, café e madeira. Para o setor, o episódio evidenciou uma oportunidade perdida de o político assumir liderança em agenda econômica, como a renegociação de dívidas rurais, tema mobilizador da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).
Representantes do agro apontam que o discurso adotado na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) misturou política com discussão comercial. O deputado Pedro Lupion, presidente da FPA, comentou que houve avanços com exceções para carnes e pescados, mas declarou: “Tivemos avanços importantes, mas ainda há produtos que precisam ser retirados da tarifa. Eu adoraria que essa tivesse sido uma discussão técnica”.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manifestou preocupação com a confirmação da tarifa, afirmando que a medida amplia a insegurança para empresas brasileiras e americanas. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) atribuiu o desfecho à crise a “ruídos diplomáticos desnecessários” e ao “desalinhamento político” entre Brasília e Washington, convergindo com parte do setor produtivo na necessidade de negociações técnicas.

