Um estudo publicado na revista Frontiers in Environmental Archaeology revelou que princesas do Egito Antigo não viviam apenas em luxo, mas eram treinadas para usar armas. A pesquisa analisou restos mortais de quase quatro mil anos, encontrados no complexo funerário de Dahshur, no Egito.
Os arqueólogos examinaram esqueletos mumificados que datam de quase quatro mil anos. A análise, feita em restos mortais escavados entre 1894 e 1895, mostrou que as mulheres praticavam atividades como caça, arco e flecha e exercícios de treinamento militar com frequência. A arqueóloga Zeinab Hashesh, da Universidade Beni-Suef, reencontrou os esqueletos em 2020.
Os pesquisadores utilizaram medições e radiografias para analisar as áreas de inserção de músculos e tendões nos ossos. Eles encontraram sinais de músculos muito desenvolvidos nos braços e ombros, o que é compatível com movimentos repetitivos, como puxar cordas de arco ou manter armas firmes. Hashesh afirmou que isso explica a presença de arcos e maças nas tumbas, que eram ferramentas usadas e não apenas presentes simbólicos.
Os achados indicaram características distintas em cada indivíduo. Uma das princesas, de 28 a 34 anos, possuía músculos fortes na parte superior do corpo, sugerindo uso frequente de maças ou punhais. Outra princesa foi identificada como arqueira habilidosa, e algumas mulheres apresentavam fraturas cicatrizadas, possivelmente resultado de treinamentos ou confrontos físicos.

