Especialistas alertam que o uso de medicamentos como Ozempic e Monjaro para emagrecimento exige acompanhamento médico, nutricional e psicológico. Um consenso europeu reforça que a perda de peso não deve ser o único foco, devido aos riscos de tratamento inadequado.
O cardiologista e nutrólogo Guilherme Borges afirmou que o Brasil enfrenta uma epidemia de obesidade, com um aumento de 118% no número de obesos nos últimos vinte anos. Segundo o especialista, 25% da população tem o diagnóstico de obesidade e 60% está acima do peso. Ele explicou que os análogos do GLP-1 imitam hormônios que promovem saciedade e reduzem a ingestão alimentar.
Borges apontou que o tratamento frequentemente ocorre sem equipe especializada, o que gera riscos. A terapia nutricional deve ser o primeiro passo, pois o remédio limita a quantidade de comida, mas o paciente pode ingerir poucos nutrientes. O especialista citou a necessidade de monitorar hidratação, proteínas e fibras, recomendando mais de 25 gramas de fibras diárias.
O médico alertou para a perda de peso acelerada, que ocorre ao ingerir entre 800 e 1000 calorias diárias, podendo causar desnutrição e desidratação. Além disso, destacou o risco de dependência emocional da medicação. Borges disse que o fármaco é uma ferramenta, mas o tratamento deve ser multidisciplinar para que o paciente consiga caminhar sem ele.

