O uso crescente da tecnologia over-the-air (OTA) na indústria automotiva expõe veículos a ciberataques, alertam analistas. A tecnologia permite atualizações de software sem fio, mas especialistas apontam que ela representa um risco de segurança nacional, como demonstrado por testes em ônibus na Noruega.
A tecnologia OTA fornece novos softwares, firmwares e correções para dispositivos conectados à internet. Embora a implementação tenha sido popularizada por empresas como a Tesla, o aumento da adoção gera preocupações sérias. Um analista sênior da S. Rajaratnam School of International Studies afirmou que o uso da tecnologia representa “uma preocupação singular de segurança nacional”.
A preocupação se estende além da privacidade de dados. Há risco de agentes estrangeiros sabotarem controles de veículos em movimento, algo que países como Noruega, Dinamarca e Reino Unido já manifestaram. Um relatório do American Enterprise Institute alertou que proteger o setor automotivo é vital para limitar capacidades de espionagem de governos estrangeiros.
Testes práticos revelaram vulnerabilidades. A empresa norueguesa Ruter constatou que um ônibus apresentava acesso ao sistema de controle da bateria por meio de rede móvel, o que teoricamente permitiria que o veículo fosse parado pelo fabricante. As apurações subsequentes envolveram o Reino Unido e a Dinamarca.
Professor Siraj Ahmed Shaikh explicou que a questão transcende um único fabricante, abrangendo outros setores como marítimo, ferroviário e aeroespacial. Ele ressaltou que é fundamental responsabilizar entidades e governos pela aplicação dos sistemas OTA.

