O impacto econômico da inteligência artificial nas empresas depende de reformas estruturais, qualificação de mão de obra e governança, afirmou um especialista em tecnologia e estratégia digital. A ausência de ganho geral de produtividade é vista como questão de tempo para o amadurecimento dos processos internos.
O especialista identificou três erros comuns das companhias ao usar sistemas autônomos. Ele citou a adoção de tecnologia de baixo para cima sem que a liderança a utilize primeiro, a inserção de ferramentas de IA em fluxos de trabalho sem modificar processos ineficientes, e a falta de governança clara para gerenciar riscos de segurança e propriedade intelectual.
A escassez de profissionais qualificados representa outro obstáculo. Segundo a consultoria IDC, mais de 90% das empresas enfrentarão falta crítica de talentos em IA até o final de 2026. Apesar disso, as grandes empresas de tecnologia investem em infraestrutura, e o setor de desenvolvimento de software já mostra aumento de produtividade ao usar agentes de IA para escrever código.
No âmbito regulatório, o país vive um limbo normativo temporário. O Marco da IA está sob análise na Câmara, após aprovação no Senado, mas a votação final foi adiada para o período pós-eleitoral de 2026. Nesse cenário, a ANPD atua como reguladora de fato por meio da Lei Geral de Proteção de Dados.

