O Pix, sistema de pagamento instantâneo que transformou as transações financeiras no Brasil, passou a ser foco de uma disputa internacional. O embate, originado na guerra comercial com os Estados Unidos, envolve questões de influência geopolítica e soberania digital e monetária.
A discussão transcende os intermediários financeiros, como as bandeiras de cartão de débito e crédito. Ela trata do poder, visto que os Estados Unidos buscam manter controle sobre os sistemas de pagamento globais para exercer influência geopolítica. Decisões americanas, por exemplo, incluem sanções que restringem o acesso a canais bancários formais controlados por instituições norte-americanas.
A advogada Fernanda Garibaldi, diretora-executiva da Zetta, afirmou que “Meios de pagamento são mais que infraestruturas de transação financeira, são instrumentos geopolíticos de poder.” Ela destacou que a capacidade de países criarem redes de pagamento próprias reduz a aplicação extraterritorial das regras americanas.
No Brasil, o Pix funciona como uma infraestrutura crítica e ativo de soberania regulatória digital, gerido pelo Banco Central. Lançado em 2020, o sistema conta com mais de 170 milhões de usuários. Em junho, o Pix registrou 7,7 bilhões de transações, enquanto os cartões movimentaram R$ 4,5 trilhões em 2025, segundo dados da Abecs.

