Dados compilados pelo Unicef indicam que 13,5 milhões de crianças em todo o mundo não receberam nenhuma dose de vacina no primeiro ano de vida em 2025. O estudo, que abrange 195 países, alerta que a manutenção desse índice aumenta o risco de surtos de doenças.
O relatório “Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional” detalha que, além das crianças zero-dose, outras 7,3 milhões não completaram o ciclo básico de imunização, que inclui três doses contra difteria, tétano e coqueluche. Segundo o Unicef, o abandono da imunização ocorre majoritariamente antes da primeira dose da vacina contra o sarampo (MCV1).
Em 2025, foram registrados mais de 411 mil casos de sarampo globalmente, em surtos que afetaram 57 países. O fundo considera alto o risco associado ao índice de crianças zero-dose, que se aproxima dos patamares observados em 2009. A diretora-executiva do Unicef, Catherine Russell, disse que milhões de crianças vulneráveis permanecem desprotegidas por conta de conflitos e pobreza.
No Brasil, a situação apresenta melhora, com as crianças zero-dose estimadas em 50 mil. Contudo, o levantamento nacional carece de um estudo independente nos últimos cinco anos, conforme recomendação da OMS e do Unicef. A CEO da Gavi, Dr. Sania Nishtar, afirmou que o desafio será manter o impulso diante de cortes de financiamento e incertezas geopolíticas.

