Um filósofo comparou a crença no sufrágio universal em democracias à fé católica no Santíssimo Sacramento. O autor defende que o questionamento constante das instituições não ameaça o Estado Democrático de Direito, mas é essencial para seu aprimoramento.
Cornelius Castoriadis afirmou que a confiança das sociedades democráticas no poder do voto universal é análoga à fé católica na presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento. O autor ressalta que, enquanto a Santa Sé submete milagres a rigorosos exames, o poder dos votos populares é frequentemente posto em dúvida.
Segundo o texto, os questionamentos sobre a segurança da democracia não configuram uma ameaça ao Estado Democrático de Direito. Pelo contrário, eles são considerados fundamentais para o aprimoramento das estruturas humanas. O autor cita Sócrates, afirmando que uma vida sem exame é indigna, e estende essa ideia às instituições.
A manutenção de qualquer instituição imune ao exame é vista como um fator de enfraquecimento. O texto conclui citando Stanislaw Ponte Preta, ao sugerir que é importante ultrapassar a linha da galhofa, pois aquilo que não pode ser satirizado não merece ser levado a sério.

