O investimento em infraestrutura de Inteligência Artificial transformou os mercados de capitais, forçando investidores de títulos a exigir maior compensação pelo risco. Dados de mercado mostram que os spreads de crédito de empresas como Oracle subiram para 75 pontos-base, sinalizando a pressão financeira da expansão tecnológica.
O avanço da Inteligência Artificial migrou de uma narrativa tecnológica para uma questão de mercados de capitais. Grandes empresas estão investindo capital substancial na construção de data centers e aquisição de chips avançados. Esse financiamento crescente tem sido feito majoritariamente por meio de dívida, o que gera divergências entre investidores de ações e de títulos.
Os mercados de crédito, como o de swaps de crédito (CDS), oferecem um indicador mais detalhado da saúde corporativa. Segundo dados de mercado, os spreads de CDS de cinco anos para Oracle atingiram cerca de 75 pontos-base, o patamar mais alto em pelo menos sete anos. Para Amazon, Alphabet e Microsoft, os spreads subiram para aproximadamente 49 pontos-base, o nível mais alto desde 2018.
Em 2026, empresas como Amazon, Alphabet, Nvidia, Meta Platforms, Oracle e SpaceX emitiram um total de US$ 182 bilhões em títulos de grau de investimento. Esse montante representa um aumento de 1.300% em relação ao ano anterior e financia a infraestrutura de IA. Contudo, os analistas apontam que o aumento dos spreads não indica falência, mas sim que o risco financeiro marginal da expansão de IA está crescendo.
A conclusão é que a era de gastos ilimitados e de baixo custo em IA está terminando. Investidores devem reconhecer que a solidez do balanço patrimonial se torna tão importante quanto a inovação para garantir retornos de longo prazo.

