A indústria brasileira de calçados revisou a projeção de exportações para baixo, prevendo uma queda média de 7% em 2026. A mudança ocorreu após os Estados Unidos imporem uma tarifa adicional de 25% sobre os embarques do setor, segundo a coordenadora de inteligência de mercado da Abicalçados.
A nova cobrança interrompe a perspectiva de estabilização das vendas no segundo semestre, que antes compensaria as quedas do primeiro semestre. A economista afirmou que, com a alteração, a projeção é encerrar 2026 com queda total de exportações, em média, de 7%. Os Estados Unidos representam o principal mercado externo da indústria calçadista brasileira, o que torna o impacto da tarifa direto no resultado total do setor.
A busca por outros destinos não compensa a retração de vendas aos EUA. Embora o setor exporte para mais de cento e sessenta países e tenha ampliado vendas para a América Latina, União Europeia e África, a relevância do mercado americano dificulta a substituição rápida. Parte dos calçados é produzida com a marca do cliente americano, impedindo o redirecionamento simples para terceiros mercados.
A Abicalçados busca medidas de curto prazo com o governo federal para atenuar os impactos nas empresas mais dependentes do mercado americano. No longo prazo, a entidade defende a extinção da tarifa ou, no mínimo, a equiparação tarifária frente à concorrência internacional. O acordo comercial com a União Europeia pode gerar crescimento, mas com efeito gradual.

