Marcio Appel, gestor da Adam Capital, que administra cerca de R$ 3 bilhões, avalia que a economia brasileira não tem saída de longo prazo sem a inflação. O executivo classifica as contas públicas como delicadas e aponta o arcabouço fiscal como um grande entrave para o crescimento.
Appel afirma que o impasse econômico se deve à dificuldade política de reduzir despesas, como saúde e educação. Segundo o gestor, a fronteira da geração de riqueza está nos Estados Unidos, enquanto o Brasil se configura como um local para evitar perdas financeiras. Ele manifesta ceticismo quanto ao alcance da meta de inflação de 3% estabelecida pelo Banco Central.
O gestor também alerta para o mercado de crédito, citando a forte expansão de fundos e títulos incentivados como sinal de que os juros ficaram baixos demais no passado. Ele prevê que uma crise nesse setor pode levar ao desabamento do crescimento e à desvalorização cambial. Em contraste, Appel projeta uma correção de pelo menos 30% no preço do ouro.
Sobre o cenário macroeconômico, ele contesta a visão de que os juros brasileiros são contracionistas, apontando a queda do desemprego como sinal de crescimento acima do potencial. A casa de gestão, que teve 80% do resultado vindo do exterior, aposta em ativos americanos e em apostas contra o petróleo, cuja pressão de guerra ele considera passageira.

