O governo dos Estados Unidos implementará, a partir de 22 de julho, uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Especialistas alertam que o aumento de custos pode ser repassado ao consumidor nacional, pressionando a inflação e dificultando a queda da taxa Selic.
O advogado Alexandre Pezzotti, especialista em fraude contábil, afirma que, embora o exportador não repasse a tarifa norte-americana diretamente ao consumidor interno, o impacto inflacionário ocorre por canais paralelos, principalmente pelo câmbio. A valorização do dólar encarece toda a cadeia produtiva, elevando preços de combustíveis, trigo, fertilizantes e bens manufaturados importados, gerando um efeito de contágio.
Caso a disputa comercial persista, o impasse entre Brasil e EUA pode influenciar as decisões do Banco Central (BC) sobre a taxa de juros. O BC monitora constantemente as expectativas inflacionárias e o comportamento do câmbio. Segundo Pezzotti, uma desvalorização persistente do real pressiona a inflação em curto e médio prazos.
Do ponto de vista tributário, os setores mais atingidos são aqueles com cadeias de suprimentos integradas aos EUA, como Metalurgia, Siderurgia e Indústria de Transformação e Bens de Capital. O agronegócio e os biocombustíveis também podem perder margem de lucro imediata, o que pode inviabilizar a exportação de certos produtos aos EUA.

