A atuação de grupos criminosos ligados às Farc transformou rios amazônicos em corredores de entrada de maconha de alta potência no Brasil. A rota, que utiliza o Japurá e o Puruê, expôs ligações internacionais do tráfico na fronteira, conforme apurado em operações militares no Amazonas.
A dinâmica do tráfico na região mudou, com os rios Japurá e Puruê se consolidando como alternativas às rotas mais vigiadas da Tríplice Fronteira. Esse fluxo de entorpecente é resultado de uma parceria entre o Comando Vermelho (CV) e a Frente Carolina Ramirez, grupo vinculado a dissidências das Farc. Um episódio em 2023, onde dois estrangeiros foram capturados no Rio Japurá com 17 quilos de droga, ilustrou essa conexão, visto que um dos indivíduos portava documento das Farc.
O coronel do Exército da Colômbia, Carlos Rodriguez Contreras, confirmou a convergência criminosa transnacional entre o CV e grupos oriundos das Farc. Segundo o oficial, a colaboração abrange compra de drogas, proteção de carregamentos e coordenação logística. Essa aliança é impulsionada por interesses econômicos compartilhados, como o tráfico e o garimpo ilegal.
Os dados da Polícia Federal (PF) mostram o aumento do fluxo: em 2016, foram apreendidas 2,5 toneladas de maconha, enquanto nos primeiros cinco meses de 2026, o total confiscado atingiu 23,3 toneladas. Especialistas apontam que a dificuldade geográfica da fronteira permite que os grupos utilizem os igapós para evitar a fiscalização.

